(foto de Cristiano Mascaro)
O Startup Genome Project publicou recentemente o ranking das melhores cidades do mundo para lançar uma “startup”. O resultado consta do “Startup Ecosystem Report 2012“. Segundo este relatório, o Vale do Silício é o melhor ecossistema do mundo para “startups”, avaliando fatores como a disponibilidade de capital, desempenho, talento, apoio e tendências (São Paulo classificou-se numa honrosa 13º posição).
O Vale (the Valley), como lhe chamam os locais, ocupa apenas cerca de 4000 km2 e, no entanto, gera riqueza abundante para ajudar a posicionar a Califórnia, autonomamente, como a oitava maior economia do mundo.
Há cinco fatores (outros existirão, porventura) que julgo formarem o “cocktail do sucesso” do Vale do Silício:
1. Ensino de excelência. A região alberga algumas das melhores universidades do mundo e consegue atrair muito do talento internacional. A proporção de estrangeiros atinge a impressionante marca de 35 por cento de toda a população. É um dos locais do Planeta com maior concentração de “cérebros” de várias nacionalidades. Há muitos jovens portugueses e brasileiros a residirem no Vale e a fazerem parte desta história de sucesso.
2. Tecnologias exponenciais. O Vale ganhou importância no desenvolvimento das tecnologias da informação. Os gigantes da internet (Apple, Microsoft, Google, Facebook, Amazon, entre outros) habitam na região. Atualmente destaca-se noutros domínios que transformarão a nossa sociedade nos próximos anos: robótica e inteligência artificial, nanotecnologia, biotecnologia e bioinformática, medicina, neurociência e energia. Na recém-criada “Singularity University” estuda-se o desenvolvimento e as implicações destas “tecnologias exponenciais”.
3. “Learn fast, fail faster”. O tempo e a atitude face ao risco são fundamentais. No Vale o importante é aprender rápido e falhar mais rápido ainda.O apetite pelo risco é devorador.
4. Cultura do “Impossible is nothing”. No Vale do Silício a criatividade é ilimitada. Não há impossíveis. Um exemplo bem interessante é o da TechShop (já com 6 lojas abertas), uma espécie de oficina do século XXI, que permite aos seus associados produzirem quase tudo o que se possa imaginar. Desde pequenas peças a veículos lunares ou a obras de arte.
5. Capital fluido. Os quatro fatores anteriores potenciam-se porque os recursos para financiar novos projetos são facilmente acessíveis. Os chamados mecanismos de “crowdfunding” vieram democratizar e “fluidificar” o acesso a capital. Sites como o kickstarter.com permitem facilmente angariar fundos para “startups” através da internet. Em 2012, o Vale do Silício captou cerca de 40 por cento do capital de risco nos EUA.
O Vale do Silício já testemunhou diversos ciclos tecnológicos e está claramente posicionado para influenciar os próximos. O exemplo deste Vale singular pode-nos inspirar a todos. Os fatores críticos de sucesso são evidentes. Como diria uma conhecida marca de desporto: “Just do it!”
(Artigo escrito no Vale do Silício. Publicado no Brasil Econômico e Diário Económico a 12.12.2012 e 18.12.2012, respectivamente e com adaptações)

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